OFICINA DE HQ: Conheça o professor — Parte 1

By 22 de julho de 2020 Blog

OFICINA DE HQ: Conheça o professor — Parte 1

Eric Peleias fala com tanta firmeza e paixão sobre o que faz que você vai querer começar imediatamente a oficina, mas ter de segurar a ansiedade até o início, em 18 de setembro.

OFICINA DE QUADRINHOS – COMO CONSTRUIR UMA HQ: TEMA, ESTRUTURA, PERSONAGENS, NARRATIVA, PRODUÇÃO E VENDA. O título do curso poderia ser mais claro? Só o que se pede para os participantes é que já tenham alguma noção de desenho, para que possam aproveitar ao máximo a oficina, em suas 24 horas de aula no total, sextas e sábados, entre 18 de setembro e 7 de novembro. Teoria + Prática: Ao término do curso o aluno terá concebido e esboçado uma história original completa, com quatro páginas de texto e arte, além de finalizar ao menos uma página dessa história.

LabPub — Quando revê sua trajetória, consegue apontar o momento em que sua atuação profissional se encaminhou para a produção de HQs? Que outros caminhos se apresentavam a você, como designer?

Eric Peleias — Eu sempre quis contar histórias e acredito que a vida foi me direcionando para isso, mesmo quando eu tentava fugir. Quando comecei no design percebi que o meu trabalho era também uma forma de ajudar a contar as histórias de outras pessoas com imagens e assim resolver problemas. Depois de alguns anos de atividade surgiu a oportunidade de ilustrar algumas revistas e criar materiais como charges e infografias. Foi uma questão de tempo até que uma boa história me encontrou e decidi contá-la em quadrinhos. Não parei mais desde então e nem pretendo parar.

LabPub — Pelo seu entendimento, HQ é literatura ou tem questões tão próprias que se torna algo à parte, uma outra arte como é o cinema, o teatro etc?

Eric Peleias — As histórias em quadrinhos trabalham com a soma de texto e arte para construir algo completamente novo e o ciclo só se conclui com a participação do leitor. O cinema usa o movimento e o som, porém quando lemos uma história em quadrinhos vemos todos aqueles elementos que parecem peças isoladas e é só no cérebro de cada um que a história se completa. Imagens estáticas parecem ganhar movimento. Sons, vozes e ritmo são diferentes para cada leitor. É uma forma de contar histórias muito catártica, quando se para pra pensar. Honestamente? Nem sei se ainda é importante fazer esse tipo de separação o tempo todo. Tive essa conversa com uma amiga que é atriz. Ela realizou e transmitiu uma peça ao vivo pelas redes sociais dela. Isso ainda pode ser considerado teatro? Chegamos à conclusão de que isso não importa, pelo menos não no momento. O importante é que as pessoas querem e precisam de histórias. E algumas pessoas, como eu, precisam contá-las. Em nosso curso falamos sobre uma forma de fazer histórias. Por acaso essas histórias são em quadrinhos e as sugestões que damos podem tranquilamente ser utilizadas por analogia em outras mídias e formatos. Os quadrinhos possuem suas especificidades, mas nós também nos inspiramos em técnicas utilizadas na literatura tradicional, cinema, teatro, entre tantos outros.

LabPub — Há muitas crianças que produzem HQs entre amigos, montando peças únicas que rodam de mão em mão na escola, por exemplo. Entre esse gosto ou hobby e vir a trabalhar no mercado editorial, qual a distância? Ou seja, que outros fatores você elenca que fazem uma pessoa querer produzir HQs em vez de apenas consumir as publicações?

Eric Peleias — Comecei a fazer quadrinhos quando era bem pequeno. Com seis ou sete anos de idade. Era uma folha de papel dobrada no meio para que a história tivesse quatro páginas, com capa e tudo. Gostaria que os meus professores tivessem me incentivado mais naquela época. Eu poderia ter aprendido mais e apresentado trabalhos muito mais criativos e interessantes sobre as mais diversas matérias, como física e química, que me deram um trabalho danado. “Quadrinhos são só para crianças?”. A resposta que mais gosto de dar é “quadrinhos são para crianças também”. No Brasil, a maioria das crianças aprende a ler com as histórias da Turma da Mônica e a vontade de querer contar as próprias histórias começa ali. Talvez o que falte seja um pouco de informação para entender como fazer uma boa história. Quando comecei a fazer quadrinhos pensava que para fazer quadrinhos eu precisaria ser escolhido e contratado por uma grande editora ou não teria chance alguma. Foi bem libertador descobrir que tudo o que eu realmente preciso é contar histórias que as pessoas queiram ler. Hoje sei que se eu tiver um projeto e quiser fazer dele um negócio, posso lançar de maneira independente, trabalhar com editoras tradicionais, publicar na internet, realizar parcerias, ou até buscar outras formas que ninguém ainda pensou.

LabPub — Como conheceu o Gustavo Borges?

Eric Peleias — O Gustavo é um dos meus melhores amigos e uma das pessoas com quem eu mais converso. Nos conhecemos no Festival Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte de 2013 e fomos nos reencontrando em outros eventos até que viajamos com outros dois amigos, Felipe Cagno e André Freitas, para um festival de quadrinhos fora do Brasil e lá começamos a discutir a possibilidade de realizarmos algum projeto. Rapidamente percebemos que tínhamos métodos parecidos de encarar o trabalho e, especialmente, de analisar o que fazíamos. Já fizemos duas publicações juntos: Até o Fim, em 2017 e Como Fazer Amigos e Enfrentar Fantasmas, de 2019. Além disso já realizamos algumas palestras, cursos e oficinas e mesmo quando realizamos trabalhos separados ainda costumamos pedir a opinião do outro.

Para saber mais do trabalho de Eric Peleias, acesse: https://www.peleias.com.br/

Para conhecer melhor a oficina e se inscrever, https://www.labpub.com.br/oficina-de-quadrinhos/

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