Como se (re)escreve a história

By 6 de maio de 2020 Blog

Como se (re)escreve a história

Felipe Castilho explica: é “somente” escritor. Vive da escrita. Precisa, como se diz, “se virar nos trinta” para seguir criando e pagando contas. É o autor sendo também empreendedor.

A coisa funciona assim: você faz sua contribuição no Catarse (site de financiamento de projetos) e recebe, todo mês, uma história em quadrinhos com roteiro escrito pelo Felipe Castilho. Cada história é feita com base nas vidas de pessoas entrevistadas pelo autor. Daí ele impõe seu consagrado estilo: “a partir destes relatos construirei histórias de fantasia, terror e/ou ficção científica. Histórias do cotidiano, de quem vive a vida real e faz o mundo girar. Histórias de trabalhadores com um filtro de magia. Histórias mundanas que inspiram jornadas fantásticas”, conta ele na página do projeto.

A literatura e a ilustração das HQs, em formato digital, não chegam sozinhas: Felipe ainda produz uma newsletter abordando questões da escrita, da ficção fantástica, entre outros temas, além de uma entrevista dele com a pessoa que foi a base da história. Castilho produz tudo isso mesmo nesse cenário complicado em que vivemos, conforme revela na entrevista que concedeu essa semana para a newsletter da LabPub.

O que torna inspirador nisso tudo é ter transformado, de forma empreendedora e criativa, ferramentas que estão já ao alcance de muita gente. A combinação de sua trajetória como autor com essas possibilidades está ajudando a resolver o “detalhe” da sobrevivência do escritor. Se não é uma solução para todo mundo, pode ser para você que está lendo ou alguém que conheça, fora a inspiração para adaptar a empreitada para outros nichos e atividades.

Nesse processo, duas obras já foram lançadas: “Cara” e “Guarás – a outra margem”. Felipe Castilho é autor da série O legado folclórico (trilogia publicada pela editora Gutenberg), que une mitologia brasileira com o mundo dos videogames, também de Ordem Vermelha: Filhos da Degradação e Serpentário, ambos publicados pela Intrínseca. Pelo quadrinho Savana de pedra (Astral Cultural) foi indicado ao Prêmio Jabuti.

LabPub – Recentemente você criou um projeto via Catarse, plataforma de financiamento coletivo na internet. Que projeto é esse? E já tem resultados?

Felipe Castilho –  Sim, é um financiamento coletivo recorrente onde produzo Histórias em Quadrinhos mensalmente! Estou com uma equipe produzindo um pacote de conteúdo e histórias seriadas, com temas definidos por temporada: a deste ano se chama “A Magia ao Povo pertence”, com histórias fantásticas inspiradas em relatos de trabalhadores. Cada temporada temática dessas tem vários arcos de histórias, cada um com um artista convidado no traço, e os roteiros sempre meus. A primeira foi Guarás: a outra margem (sobre veterinários) e a segunda começou este mês, se chama CARA (sobre entregadores de app em tempos apocalípticos). Além das páginas mensais, produzo uma newsletter, entrevistas, envio artes exclusivas para os apoiadores e mantenho um contato mais próximo com quem me lê e espera por mais conteúdo meu, e não “apenas” (entre muitas aspas) apenas um ou dois lançamentos por ano. Estamos entrando no sexto mês de campanha e tudo está correndo muito bem! Ando recebendo muitas mensagens dizendo que meus envios de novidades estão ajudando o pessoal a enfrentarem esses dias estranhos e cruéis. Aqui o link:

https://www.catarse.me/felipecastilho

LabPub – O escritor confinado escreve mais? Ou é justamente o contrário?

Felipe Castilho –  Eu não sei se ando escrevendo menos, mas certamente não estou escrevendo melhor que em tempos não-pandêmicos. Mas a certeza é: estou passando mais tempo em frente ao pc para Hangouts. Minha concentração está mais afetada e também sinto que os dias e minha paciência estão mais curtos.

LabPub – Desafio: crie um final fictício de história para a história que estamos vivendo de verdade atualmente.

Felipe Castilho –  Descobrimos que tudo o que aconteceu de 2010 pra cá foi parte de uma realidade simulada coletiva desencadeada pelo tuíte do Petkovic (“Ânimo galera tudo vai melhorar depois da copa de 2014”) e podemos corrigir milhões de erros que nos levaram a essa versão de 2020. O Brasil se torna referência mundial no combate ao Covid e Bolsonaro é apenas lembrado como o idiota que o CQC tentou deixar famoso.

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