SUPER-ALUNA: NIKELEN WITTER NA FINAL DO JABUTI 2020

By 28 de outubro de 2020 Blog

SUPER-ALUNA: NIKELEN WITTER NA FINAL DO JABUTI 2020

Doutora em História, professora na Federal de Santa Maria, inscrita em cinco cursos da LabPub: conversamos com a autora finalista do mais tradicional prêmio da literatura nacional.

O livro Viajantes do Abismo (Avec Editora, 2019) está na lista de 10 melhores livros da nova categoria “Romance de Entretenimento”, do Jabuti 2020. A autora é Nikelen Witter, doutora em História Social pela Universidade Federal Fluminense, professora do Departamento de História da Universidade Federal de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, e uma aluna dedicadíssima na LabPub, que faz o curso de Quadrinhos, o de Roteiro, além de Uma história do feminismo e estar ainda inscrita nos que vão começar em novembro: Teoria Queer e História da Literatura Nerd. Você pode perguntar: mas a que horas do dia ela escreve? Deixemos isso para o campo do mistério — um charme literário — e ouvir o que ela tem para contar sobre esse reconhecimento e mais:

LabPub — Quando a gente busca uma classificação para uma obra literária, costuma errar, concorda? Dizer que Viajantes do Abismo é uma distopia acaba não dando conta da história ou mesmo da escrita, não é? Conte um pouco sobre isso, por favor.

Nikelen Witter — Eu não estava pensando numa classificação específica quando comecei a escrever. Sempre digo que há tanto de minhas angústias em Viajantes, o livro é praticamente um auto exorcismo de dores e temores. Eu peguei uma porção de coisas que estavam me roendo por dentro e estiquei ao máximo sobre o que isso poderia resultar e transformei o pavor desse olhar em uma história. Apesar da estética steampunk – que emula o século XIX –, apesar dos elementos fantásticos; apesar das proposições da ficção científica, eu queria falar de humanidade. De pessoas, de esperança e de medo. Sobre nos responsabilizarmos, pelo bem e o mal do acontece com o mundo. E eu queria falar sobre mulheres e sobre sobreviver

Distopia/ Steamfantasy Distopia/ Ficção Científica fantástica/ Ficção Especulativa – todas são possíveis como classificação. Mas realmente não escrevi pensando nelas e acho que alguns leitores podem discordar de uma ou de todas. Para mim, o que importa é como a história mexe com cada um.

LabPub — Quem são suas referências literárias mais presentes?

Nikelen Witter — Sou uma leitora voraz e de fases. Mas tem autoras e autores que entram em mim de tal forma que estão sempre presentes. Jane Austen, Gabriel Garcia Marques, Alexandre Dumas, Ursula Le Guin, Margareth Atwood, Neil Gaiman.

Sou eclética também.

Esse ano descobri várias escritoras brasileiras incríveis e que estavam esquecidas pelo cânone e pela mídia. Tem sido incrível incorporá-las.

LabPub — Em uma entrevista você declarou que há autores, autoras e livros nos últimos anos a que devemos dar mais atenção, reconhecimento. Você pode citar alguns nomes e títulos?

Nikelen Witter — Eu falava justamente dos livros de fantasia, ficção cientifica e terror que se tem produzido no Brasil nas últimas décadas. É uma pena que tanto material bom e tantos escritores talentosos fiquem à margem. O único jeito de ultrapassar isso, é reconhecendo o valor desse material e lendo-o. Nesse sentido, o Prêmio Jabuti acaba sendo uma vitrine para dizer: Sim, nós temos autores de ficção de gênero, e tem coisas boas aí.

Eu posso recomendar cada um dos nomes que está nessa lista de 10 finalistas. Acreditem, já os li e são escritores incríveis. E os que conheço como a Ana Rüshe, o Felipe Castilho, o Fábio Fernandes são igualmente pessoas maravilhosa. A lista para além desses 10 seria enorme e eu, provavelmente, deixaria gente fantástica de fora. Sugiro acompanhar os eventos da área, como a Odisseia de Literatura Fantástica, as indicações dos Prêmios Le Blanc, Odisseia e Argos. E, é claro, vale olhar para as revistas literárias como a Trasgo, a Mafagafo, a Taverna, a Somnium, entre outras.

LabPub — Como começaria seu discurso, caso ganhe o prêmio principal, aquele cobiçado jabutizinho dourado?

Nikelen Witter — Minha deusa!! Sério mesmo, não pensei nisso. Eu já me sinto premiada em estar entre os 10. Assim como me sinto premiada com cada leitor que gosta e recomenda. Se chegar entre os 5 já vou ficar sem palavras. Se levar a estatueta, então… Não sei mesmo.

O que mais me ocorre é lembrar que o livro não chegou aí apenas por minha causa. Teve incentivo e suporte em casa e fora dela. Leituras de beta-readers, preparação de texto com minhas agentes da Increasy, com meu editor da Avec, horas de discussão com meu marido que também é escritor. Então, se eu colocar a mão no Jabuti, sei que não é só meu e que tenho muita, mas muita gente para agradecer.

LabPub — Por fim, fale um pouco de sua atuação como pesquisadora e professora na Federal de Santa Maria. Seu livro tem base em seus estudos para o mestrado? E não posso deixar de perguntar sobre seu doutorado, pesquisando epidemias: quais conexões você faz entre sua tese e esse momento que vivemos?

Nikelen Witter — Bem, eu trabalho há vinte anos atuo há vinte anos no ensino superior e como pesquisadora. Minha trajetória na UFSM é mais curta, mas me orgulho muito do trabalho que desenvolvo junto com meu Departamento, tanto na pesquisa quanto na formação de professores. Também atuo em duas pós-graduações: uma voltada para professores de História e outra multidisciplinar sobre estudos de gênero. Gosto especialmente de minha atuação com projetos de extensão. Eu coordeno um grupo chamado GEEUM@ – Grupo de Estudos e Extensão Universidade das Mulheres. Há quatro anos nos encontramos, lemos, agimos e buscamos fortalecer o lugar das mulheres na sociedade através do conhecimento. É incrivelmente gratificante.

Sobre a influência das minhas pesquisas de mestrado e doutorado… Eu acho que o livro tem muito das duas. Tem a curandeira que se recusa a aceitar a ideia de que não há esperança para uma morte anunciada e que nunca desiste de buscar a cura. Isso tem tudo a ver com o que estudei sobre curandeiras e curandeiros no meu mestrado. Por outro lado, eu estudei no doutorado uma pandemia que colocou em xeque a sociedade do século XIX, assim como é um planeta doente que desestabiliza a sociedade que descrevo em Viajantes do Abismo.

Por outro lado, no caso da minha tese (que eu defendi em 2007), as pessoas voltaram a falar dela e me perguntar sobre ela agora, por conta da Covid-19. Guardadas as devidas proporções, temos, infelizmente, similaridades entre ambas. Uma doença pouco conhecida, que não se sabe evitar ou tratar. Pessoas que negam sua existência e negam a ciência que tenta entendê-la. Usos políticos e informações falsas. Principalmente, uma doença que surge a partir de nossa interação desastrosa com o meio ambiente. E, creio, assim como no passado, é aí que precisamos agir para que possamos ter futuro. E um futuro que não nos leve ao Abismo.

Para conhecer melhor o livro, também disponível em ebook, acesse:  https://aveceditora.com.br/produto/viajantes-do-abismo/

Quando saberemos do Jabuti?

Justamente nesse ano em que o prêmio seria anunciado mais cedo, sem setembro, a pandemia empurrou tudo e a todos nós. Agora em novembro os ganhadores serão conhecidos. A cerimônia de entrega das vinte categorias será feita via internet no dia 26.

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