Batendo o ponto e as expectativas

By 18 de fevereiro de 2020 Blog

Batendo o ponto e as expectativas

Professora no curso GHOSTWRITING & BIOGRAFIA, a escritora Nanete Neves conta a história do livro Batendo ponto, que surpreendeu até os próprios autores, depois de cinco anos de espera.

Terça-feira, 14 de maio de 2013. O que você fazia nesse dia, lembra? Bom, naquele fim de tarde, em São Paulo, os escritores Marcelino Freire, Nelson de Oliveira e Nanete Neves foram ao lançamento do livro Batendo ponto, na tradicional Livraria da Vila da Fradique Coutinho, contentes com o fim de uma espera que já contava cinco anos. Mas será que pensavam que faria sucesso aquele livro que fizeram juntos, ambientado no ambiente corporativo – a garagem da firma, os corredores da firma, a festa de fim de ano da firma? Pois fez. É um caso exemplar tanto para autores quanto para editores e vendedores de qualquer editora.

Premiados com Jabuti, Casa de Las Americas entre outros, Nelson e Marcelino haviam sido professores de Nanete em oficinas de escrita literária. São ótimos e reconhecidos como escritores e como mestres, assim como Nanete também se tornou. União feliz, resultado maravilhoso. Mas a história desse livro quem conta melhor do que ninguém é a própria Nanete: veja por quê.

LabPub – Nanete, outro dia você comentou que Batendo ponto é um livro
surpreendente na sua trajetória. Conte a história dele, por favor.

Nanete Neves – Em fins de 2008, fui convidada pelo Marco Pace, então editor da Campus Elsevier (para a qual eu vinha há muito tempo trabalhando como ghost writer), para coordenar um livro de mini e microcontos que se passassem dentro do universo corporativo. Achei o máximo e aceitei na hora. Ele disse que eu poderia chamar quem eu quisesse para assinar a autoria comigo. Eu então convoquei logo meus dois mestres Nelson de Oliveira e Marcelino Freire, eles toparam e em poucos meses tínhamos o original desse livro que, a princípio, teria o título “Grandes empresas, pequenos contos”.

Ocorre que na grande reunião deliberativa da editora realizada em meados de 2009, o projeto não foi aprovado, porque eles eram especializados em livros de temática corporativa e acreditavam que não saberiam como trabalhar um livro que, embora a temática se passasse nesse universo, era de ficção, e para isso eles não tinham o expertise.

Chateado, Marco Pace se sentiu na obrigação de fazer o nosso livro acontecer,  e o fez para a então Editora Saraiva na pessoa da editora Carla Fortino, que rapidamente comprou a ideia. Felizes, assinamos o contrato com a Saraiva em 30 de outubro de 2009, e inclusive com o direito a um advance (que é um adiantamento de remuneração de direitos autorais sobre a obra) em partes iguais para nós três.

Ocorre que, nos meses subsequentes, a Carla Fortino saiu, idem vários de sua equipe, a Saraiva passou por uma série de mudanças, e o nosso livro ficou numa gaveta lá meio esquecido, até o ponto em que a editora nos propôs um distrato. Ou seja, estávamos sem editora novamente.

Informado, Marco Pace tomou para si a incumbência e marcou um almoço para me apresentar ao Luiz Vasconcelos, dono da Editora Novo Século. Nesse almoço, Luiz se comprometeu a publicar o nosso livro. Grande Marco Pace!

Em julho de 2012 assinamos contrato. Por sugestão da editora o livro passou a ser intitulado Batendo ponto – Uma colherada de humor na hora do cafezinho,  ele foi, enfim, lançado em maio de 2013, depois de cinco anos de espera.

LabPub – Vocês fizeram ficção sobre o mundo corporativo, que a editora
destinou para o próprio mundo corporativo, quebrando um preconceito de
certa forma. Para você, o que há nessa história que seja exemplar para
outros autores?

Nanete Neves – Essa ideia do Marco Pace mostrou-se genial, baseando-se no fato de que o pessoal do mundo corporativo pouco lê, no máximo um ou outro livro de autoajuda para subir na carreira. Ele acreditava contudo que, na forma da narrativa breve, esse livro os alcançaria. E deu super certo! A Novo Século tem um departamento de vendas incrível, e o livro pode ser achado em todas as livrarias e até em lugares alternativos como o site da Americanas. Desde então ele segue vendendo, sobretudo nos finais de ano. É um livro bonitinho, tamanho pequeno, 104 páginas, gostoso de ler e manusear. Acredito que seja porque ele é ideal como presente do amigo secreto “da firma”.

LabPub – Ouvi já de alguns editores que os melhores vendedores de livros são os próprios autores. Você acha que é assim mesmo ou essa impressão é
relativa?

Nanete Neves – Concordo total. As editoras costumam fazer um esforço de divulgação na época do lançamento com seus autores mais conhecidos. Mas não importa o tamanho e o prestigio do escritor, é ele quem faz o livro ser conhecido e ambicionado, falando a respeito nos cursos e palestras que ministre, entrevistas que der e também em suas redes sociais. Da onde se conclui que hoje não basta esquentar os miolos, produzir e lançar bons livros, é preciso também deixá-los em evidência o tempo todo.

Nanete Neves tem muitos livros publicados – uns com seu nome na capa, outros não (quando é a ghoswritter). Entre os que têm seu nome, Lavoura dourada (Évora, 2010) e O poeta e a foca: como uma jovem jornalista conseguiu a primeira entrevista de Drummond para a imprensa (Pasavento, 2015). O curso GHOSTWRITING & BIOGRAFIA começa dia 16 de abril aqui na LabPub.

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